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5 de julho Sábado

Euroaquilão

Não muito depois, desencadeou-se, do lado da ilha, um tufão de vento, chamado Euroaquilão. Atos 27:14

Íamos passar a noite ancorados com a lancha Pioneira numa das praias de Santa Izabel, no rio Araguaia, e, no dia seguinte, começaríamos uma viagem missionária e de atendimento aos ribeirinhos da região.

Era fim de tarde. Tudo parecia normal e sem aparente novidade. O casal de enfermeiros, Alvino e Maria José, o ajudante e eu andávamos sobre as areias da praia quando passamos a sentir um vento vindo em nossa direção e que foi aumentando de intensidade. Inesperadamente, uma rajada muito forte veio contra nós e a lancha, rompendo a primeira amarra. Corremos para socorrer a embarcação e, a partir daí, foi uma luta titânica de quase duas horas para impedir, o que parecia inevitável, uma catástrofe com a Pioneira. A noite chegou e com ela uma chuva muito forte que parecia deixar tudo fora de controle.

Inexplicavelmente, do ponto de vista humano, o vento forte deu uma parada instantânea por alguns segundos. Alvino, num grande esforço, conseguiu subir e ligar o motor, dando alívio para todos nós, pois estávamos no limite das nossas forças. O vento forte voltou, mas logo em seguida se acalmou. O céu ficou limpo, as estrelas apareceram e o temporal se foi.

Tempos depois ao relembrar esse fato, lembrei-me da viagem do apóstolo Paulo para Roma. Entre Creta e Malta, um vento muito forte chamado Euroaquilão soprou em cheio contra o navio que passou a navegar à deriva. Então, os marinheiros, temendo ir contra as rochas, lançaram quatro âncoras para segurar o barco.

Que âncoras serão capazes de estabilizar a embarcação da nossa alma ao enfrentarmos a fúria do vento “Euroaquilão” que pode nos destruir? Paulo lançou as quatro verdadeiras âncoras da sua vida: (1) a âncora da confiança na ajuda presente de Deus: “nenhuma vida se perderá entre vós”; (2) a âncora da salvação: “Um anjo de Deus me disse: Deus te deu todos quantos navegam contigo”; (3) a âncora da certeza: “nenhum de vós perderá nem mesmo um fio de cabelo”; (4) a âncora da vitória: “E foi assim que todos se salvaram.”

Quando o “Euroaquilão” vier contra nós e a embarcação de nossa vida correr perigo, Deus poderá prover âncoras de salvação para nos suster naqueles momentos de luta e desânimo, até que rompa a aurora de um novo dia pleno de esperança e de paz.

REFLEXÃO: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Sl 46:1)