13 de abril
Deixe-me Terminar
Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios. Salmo 141:3.
Minha frase final ficou bruscamente suspensa, sem ser pronunciada. Uma amiga e eu estávamos tendo uma discussão acalorada (e quero dizer acalorada mesmo) a respeito dos benefícios da reação correta a um estímulo. Eu sabia do que estava falando. Ela também. Quando comecei a pronunciar a frase final (o argumento definitivo, pensei eu), ela disse com firmeza: "Deixe-me terminar."
Respirei fundo enquanto ela completava sua declaração. Foi então que entendi que estávamos falando sobre a mesma coisa durante o debate todo. Estávamos só usando termos diferentes. Como eu não havia prestado atenção total, eu ouvia o que ela estava dizendo, mas não processava as suas palavras. Não estava vivendo o princípio sobre o qual argumentava. Não estava realmente escutando. Não havia valorizado a abordagem dela. Na minha pressa de expressar o meu ponto de vista, eu não tomava a decisão certa sobre quando falar e quando permanecer em silêncio. Eu queria falar.
Refleti sobre esse incidente durante semanas. Por fim, desculpei-me com minha amiga. Santa criatura como ela é, admitiu que não se lembrava de nada relacionado com minha rudeza. Aliviada, pensei numa declaração feita por alguém na nossa classe da Escola Sabatina: "Vejam só o texto de Isaías 1:18: ‘Vinde, pois, e arrazoemos.’ Considerem a questão com o ouvido da sua mente. Ouçam o convite: ‘Vinde.’ Consigo ouvir uma equilibrada discussão entre duas pessoas que se valorizam."
Entendi que o ouvido da minha mente não estava funcionando bem quando discuti com minha amiga. Tampouco o meu sistema de valores.
Imediatamente me lembrei do pedido que outra amiga costumava fazer quando relatava os elogios que havia recebido. "Deixe-me curtir o meu momento", pedia ela. Lembrei-me de que, ao ouvi-la falar do seu belo momento, pensei sobre um momento semelhante que eu também havia experimentado. E quis contá-lo. Naquele exato momento. "Deixe-me curtir o meu momento", suplicou ela. Achei que eu tivesse aprendido a lição, mas não tinha.
Deus tem um jeito de nos fazer lembrar de que somos responsáveis por nosso conhecimento e pela maneira como o usamos. Mas, graças a Deus, Ele também nos faz lembrar que o fim é apenas o começo. Ele ainda não desistiu de nós.
Glenda-Mae Greene