18 de Dezembro
Cheios de Esperança
Mas o anjo disse: – Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês! Lucas 2:10, 11, NTLH.
Eu os vi – 175 universitários, cansados mas com os olhos brilhantes, vestindo jaquetas de inverno e gorros, carregando a bagagem. Concluídos os exames, iam passar o Natal em casa. Desajeitadamente acomodamos a bagagem e o corpo nos ônibus. Fui a última, no último ônibus.
Na parada seguinte, vi que ela embarcou. Loira, com a cabeça baixa, olhos vermelhos de chorar, ocupou o primeiro banco disponível – logo atrás de mim. Em seguida ouvi: “Estou no ônibus. Devo chegar por volta do meio-dia. Ele está abrindo os olhos? Está falando? Como está mamãe?” Mais tarde, o telefone dela tocou. “Sim, estou a caminho. Você me busca? Barb está tentando arranjar os vôos.”
Meu coração se condoeu por ela. Eu sabia o que ela estava passando. Duas vezes, naquele ano, o diagnóstico médico me deixara entorpecida. “É possível que seu pai não resista. Precisamos tratar o estado dele agressivamente, com medicamentos, e seu coração pode não ser forte o suficiente.” Cinco meses mais tarde: “Sua mãe sofreu um infarto devastador. Está sendo mantida por aparelhos. É melhor chamar os familiares.” Os dois se restabeleceram, mas é difícil encarar a face da morte.
Sim, tudo aquilo era muito familiar. Tive vontade de falar com aquela mulher, orar com ela, mas não estávamos sentadas juntas. Peguei um cartão de Natal da minha bolsa, escrevi algumas palavras de ânimo e orei silenciosamente por ela e sua família. Virando-me, entreguei-lhe o cartão.
O ônibus estacionou para uma rápida parada. Ela parou junto ao meu banco e, inclinando-se, disse: “Eu estava mesmo pedindo que Deus me enviasse um anjo. Muito obrigada.” Fiquei feliz por ser uma bênção, mas me diverti com o pensamento de ser um anjo. Quando ela chegou ao seu destino, comentou em voz baixa, ao passar por mim: “Deus a usou hoje. Muito obrigada.” Mais tarde, peguei outro cartão de Natal do mesmo tipo. Olhei para a ilustração. Na frente havia um anjo.
Estudantes cheios de esperança indo passar o Natal em casa. Uma passageira esperando encontrar um bom lugar no ônibus. Uma mulher em crise, esperando ter um anjo enviado por Deus para encorajá-la. Parecia que todos tinham alguma esperança. Mas a esperança máxima se resumiu no singelo cartão com a poderosa mensagem: “Não tema. Jesus nasceu – a Esperança do Mundo”.
Diane Burns