13 de junho
Quase no Céu
Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que O amam. 1 Coríntios 2:9, NVI.
O dia era tão lindo quanto pode ser um dia deste lado do Céu. A luz solar se espalhava em miríades de diamantes ao tocar o oceano agitado pela brisa perto da Ilha Flores, a oeste da Ilha Vancouver.
Estávamos num pequeno barco a motor, ao longo das praias margeadas por árvores e a caminho do Oceano Pacífico. De repente, nosso amigo reduziu a velocidade do barco. “Baleias!” Duas enormes baleias cinzentas, mãe e filhote, surgiram na superfície, soltaram seu esguicho e se viraram, erguendo a cabeça fora da água para olhar para nós com olhos grandes e escuros. Nosso barquinho me pareceu muito vulnerável diante daquelas tremendas criaturas.
– Elas não emborcam os barcos? – perguntei, um pouco nervosa.
– Não, não – garantiu nosso amigo. – As baleias simplesmente nadam ao redor dos barcos, do mesmo jeito como nós caminhamos num quarto sem bater nos móveis!
Não me senti totalmente em paz – com freqüência eu bato nos móveis!
Mas ele tinha razão. Naquele momento, o filhote nadou por baixo da frente do barco. A água era tão clara que podíamos ver crustáceos cirrípedes em seu dorso. Sem mesmo raspar nosso barco, ele deu a volta e veio nadando ao nosso lado, tão perto que poderíamos ter estendido a mão para tocá-lo.
As baleias nadaram ao nosso redor por algum tempo e depois se afastaram. Viramos o barco de volta para o oceano. “Olhem! Orcas!” gritou uma das crianças. Três orcas pretas e brancas nadavam em sincronia pelas ondas batidas de sol, vindo à superfície e mergulhando, enquanto tentávamos adivinhar onde apareceriam a seguir. Atrás das orcas, a ilha se erguia de uma praia arenosa protegida por pinheiros. Uma águia de cabeça branca mergulhou para pegar um peixe. Nosso desejo era de que aquele dia durasse para sempre.
Foi um dia inesquecível. “É como estar no Céu”, disseram nossos filhos. Mas talvez no Céu nademos o dia todo com baleias e orcas, mergulhando e voltando à superfície, sem sentirmos frio ou cansaço. Talvez voemos com a águia, em vez de simplesmente observá-la.
Alguém me disse que por vezes a nossa vida aqui é difícil para que anelemos o Céu, mas não são só as coisas difíceis na vida que me fazem desejar o Céu – os momentos bonitos também.
Karen Holford