23 de junho
Uma Viagem no Tempo
Todos recebemos da Sua plenitude, graça sobre graça. João 1:16, NVI.
Será que foi apenas alguns dias atrás – ou semanas, meses e anos? A experiência se tornou atemporal, como se tivesse acontecido por ocasião do meu nascimento ou da minha morte. Quando me dei conta, vi que de acordo com o calendário se havia passado uma semana só.
Eu enfrentava um desafio estranho. Obstinado, insolente, impaciente, desalentado, pequeno e grande, e, a despeito de tudo, amorável e confiantemente colocado no meu coração – a escrita pessoal de Deus.
Nem sempre havia sido esse o caso. Quantas vezes havia eu lutado com meu Deus! Muitos dias, anos empilhados. Mas naquele dia não foi tão fácil. Desta vez eu não podia adiar as coisas. Meu médico me havia apresentado o fato, enfática e claramente: “Você tem câncer de mama!”
Meu Criador e Mantenedor Se aproximou cada vez mais de mim. Por baixo da minha pele assomava o meu temor. Deus, onde estás? Posso falar contigo? Podes me ouvir? Que devo fazer? Teria eu ficado melancólica?
No primeiro dia depois da notícia, precisei descobrir a minha posição, definir o meu paradeiro.
No segundo dia da longa semana, minha situação ficou mais clara, como uma névoa que começa a se dissipar. Só Deus podia salvar-me; Sua graça determinaria a minha vida.
No terceiro dia, fiquei mais calma. Era como se Deus estendesse o Seu manto sobre mim. A luz e o calor me envolveram.
No quarto dia me senti protegida numa campina de verão, com borboletas dançando ao meu redor, asas de libélulas brilhando à luz do sol, pousadas sobre uma estreita haste de grama.
No dia seguinte, coloquei as mãos nas grandes e poderosas mãos do meu amorável Pai.
No sexto dia, disseram-me que não haviam encontrado metástases no meu corpo. Ainda não sei como acabarão as coisas. Nesse meio tempo, a cirurgia e a radioterapia estão no passado, mas o que me reserva o futuro? Por enquanto, cobrem-me a graça, a bondade e o amor de Deus.
Nunca antes me senti tão segura. Venha o que vier, estou nas mãos de Deus, e Sua graça me concederá vida eterna.
Christel Mey