30 de junho
A Saia da Cama-Box
Desta forma, tenham como alvo a harmonia na igreja e procurem edificar-se uns aos outros. Romanos 14:19, BV.
Estávamos arrumando a cama, meu esposo e eu. O colchão é grande e pesado, difícil de suspender e inclinar. E hoje estou desempacotando minha última pechincha, um jogo de cama completo. Sou boa para pechinchas. E para arrumar camas? Minha especialidade. É o que faço.
Assim, nesta brilhante manhã de verão, estamos parados a seis passos de distância um do outro. Bem, o que parece é que somos duelistas concorrendo ao prêmio de campeão. Isto é, da minha parte. Ele, por outro lado, nunca deu muita importância à arte de arrumar camas. Até agora.
Do outro lado da cama, ele se dobra pelo meio, com o rosto vermelho e contorcido, e um canto do colchão apoiado no seu joelho. Resmungando protestos. Contra quem, não tenho certeza. Garanto que não são contra mim. Os resmungos e os olhares são sinistros. Nenhuma saia de cama-box que se respeite devia ousar desafiar-lhe as habilidades domésticas. Ele soca, estica e agora força lençóis, cobertas e, sim, a saia, para cima e depois por baixo do colchão. Solta, endireita-se, inspeciona o enchimento e explode.
O meu lado está lisinho e esticado. Disfarço uma risadinha irônica diante de sua inaptidão e seu profano acesso de raiva. Com o tom mais cheio de razões, digo: “Não há necessidade de partir para uma luta de socos com a saia da cama.”
O pequeno episódio paira no ar como uma nuvem de irritantes mosquitos. O meu “Viu só?” espiritual ainda está alguns dias pela frente. Às vezes, Deus deixa que as coisas fiquem cozinhando um pouco até que o molho esteja no ponto certo.
O verão implica cortar a grama ao redor da casa com assiduidade. Assim, cumpro minha exigência semanal pilotando o cortador de grama. Bem, nunca liguei muito para cortar grama. Uma tarefa a ser feita, sem necessidade de grandes talentos, certo? Fazendo a curva na direção do pátio, onde meu esposo por acaso está parado, acho que tenho mais grama do que cortador e lá vou eu, levando caprichosamente por diante um canto do piso de cedro.
O barulho do motor abafa a exclamação dele, mas aposto que não é a doxologia. De repente me parece sábio ir em frente e cortar a grama de um canto mais distante do quintal. A solidão me dá a oportunidade de refletir sobre a maneira como tratei as infrações menores dele, e sobre o que eu mereço. E no restante do dia, com muito mais misericórdia e graça do que eu manifestei para com ele, meu marido não disse uma palavra.
Marilyn Joyce Applegate