9 de maio
Amigas Para Sempre
Em todo tempo ama o amigo. Provérbios 17:17.
Quando crescíamos no Sul, minha única irmã, quatro anos mais nova, costumava realmente me deixar "à beira de um ataque de nervos". Ela parecia um bebê chorão, que ficava chupando o dedo, e os quatro anos que nos separavam eram como um abismo devido ao qual ela não entendia nada do que eu tentasse explicar. Uma vantagem da qual me lembro, entretanto, era que eu mandava que ela perguntasse à Querida (como afetuosamente chamávamos nossa mãe) se podíamos fazer ou ter isto ou aquilo, quando eu desconfiava que para mim a resposta seria negativa. E funcionava. Ela fazia a pergunta e recebia um "sim" com mais freqüência do que um "não". Afinal de contas, era a caçulinha de um clã de quatro meninos e nós duas, meninas. Para falar a verdade nunca brincávamos juntas, pois ela era "novinha" demais. Eu era mais velha. Ela, tão infantil!
Então alguma coisa aconteceu, de modo quase imperceptível. Ela começou a crescer e aqueles quatro anos não pareciam mais o enorme vácuo que costumava ser. Primeiro, ela era adolescente; depois, de alguma forma, tornou-se adulta. Foi durante aqueles anos entre a adolescência e a idade adulta que acabamos por nos tornar amigas.
Hoje somos adultas maduras, ela em Ohio e eu em Nova York; eu na meia-idade e ela me seguindo de perto. A despeito dos quilômetros que nos separam durante nossa vida adulta, temos continuado a cultivar a amizade que começou, como parece agora, séculos atrás. Sim, ela é uma das minhas melhores amigas. Conversamos por telefone pelo menos quatro vezes por semana e nos visitamos várias vezes por ano. Sempre aguardo com ansiedade as ocasiões em que viajo a Ohio para passar algum tempo sozinha com minha irmã. Na realidade, não fazemos muita coisa além de sentar-nos e conversar acerca de nossos filhos, da bondade de Deus, de nossa falecida mãe, dos nossos irmãos implicantes e, sim, até daqueles anos do nosso crescimento no Sul.
Sou grata a Deus pela amizade da minha irmã. Faz-me pensar no dia em que meu Amigo Jesus e eu nos assentaremos simplesmente para conversar – acerca das minhas lutas aqui embaixo, de quantas vezes Ele me livrou de perigos, de como me concedeu forças para vencer tentações e provas difíceis. Sim, e Ele me fará lembrar do Seu grande amor por mim, amor que Lhe deu a disposição de entregar Sua vida no Calvário. Simplesmente ficaremos sentados conversando e desfrutando a companhia um do outro. Que dia será aquele!
Glória Stella Felder