24 de março
Patinho Para o Almoço
O lobo viverá com o cordeiro, o leopardo se deitará com o bode, o bezerro, o leão e o novilho gordo pastarão juntos; e uma criança os guiará. Isaías 11:6, NVI.
Caminhadas à margem do lago me trazem uma sensação de serenidade como nenhuma outra coisa. Enquanto caminho, a minha mente entra no módulo criativo e a satisfação é o resultado. Será que era isso o que Jesus sentia ao caminhar às margens do Mar da Galiléia ou junto ao rio Jordão? Sou-Lhe agradecida por esses espaços aquáticos que me dão conforto. Então, certo dia, vi uma cena lacustre que me ensinou uma lição objetiva de modo tenebroso.
Um bando de patos selvagens, ocupado procurando alimento, não tomou conhecimento das aventuras de um dos seus filhotinhos. A luz do sol filtrava-se pelas árvores ao redor do lago. Casais passeavam ao longo da calçadinha, e as crianças riam enquanto brincavam de pegar. O cenário parecia muito sereno. O minúsculo pato preto nadava rapidamente, afastando-se do local do almoço comunitário. Saído havia tão pouco tempo da casca, e já com um espírito tão aventureiro! Ali perto, o olhar penetrante de uma ave predadora se fixou sobre o pequenino e moveu-se furtivamente na direção de sua presa. Seu alvo – pato para o almoço.
Um brado estridente fendeu o ar, emitido por uma estranha na multidão – uma pata branca. Ela esticou ao máximo o pescoço enquanto gritava e agitava freneticamente as grandes asas brancas, numa valente tentativa de enxotar o seqüestrador.
Dentro de momentos o predador precipitou-se através do lago – e prendeu o bebê pato nas suas garras. Senti um calafrio enquanto observava a cena, e também gritei. Num vôo rápido o ladrão pousou no alto de um carvalho, segurando no bico um patinho de pescoço quebrado. As lágrimas me rolavam pelo rosto. Senti-me impotente.
Nós, cristãos, sabemos que um dia não haverá mais cenas como essa. As aves não atacarão aves, os animais não atacarão animais, os seres humanos não se atacarão. Não haverá medo de homens ou feras. A cena perturbadora me trouxe outro pensamento à mente: Se os patos adultos estivessem vigiando sua prole, o adversário provavelmente não teria levado a cabo seu intento. Assemelho esse fato aos membros maduros e aos "bebês" da igreja. Por vezes, um novo inquiridor desanima e deixa de assistir aos cultos. Alguns podem perguntar: "O que aconteceu com Fulano de Tal?" Mas o tempo passa e ninguém entra em contato. É quando Satanás, o predador, agarra sua oportunidade e arrebata a débil e fragilizada vítima.
Estamos nós vigiando? Estamos alertando uns aos outros?
Betty Kossick