05 Abril
Falar com Graça
A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um. Colossenses 4:6.
Era um dia frio e ventoso no pináculo do Vale da Lua, na Bolívia. Que vista! Um homem e sua esposa aproveitaram a altitude e a temperatura baixa para oferecer seus cachecóis quentinhos de lã de alpaca, que estavam à venda. Parei para olhar. Um dos turistas me aconselhou a esperar até chegarmos ao mercado livre, onde os preços seriam mais baratos, mas eu não estava disposta a pechinchar por causa de oito dólares, num momento em que precisava mesmo era me agasalhar a cabeça e o pescoço! Olhei para a mulher acocorada sobre pedras rústicas, aconchegada a um colorido xale que a abrigava do vento cortante. Ela precisava de uma freguesa. Paguei o cachecol com uma nota de 10 dólares e recebi de troco um sorriso de valor inestimável!
Outra vez, enquanto pagava por um cesto de pêssegos na banca de frutas de um agricultor, um amigo me deu um tapinha no ombro e disse: “Você se deu conta de que está pagando um dólar por pêssego?” Eu não havia encarado minha compra por esse ângulo. Em vez de aceitar o julgamento dele, respondi: “Mas eles são muito mais saborosos do que aqueles que a gente compra no supermercado, de modo que vou pagar o preço.”
Em nenhum caso, eu estava procurando conselho. Você alguma vez já considerou os tópicos comuns de uma conversa de todo dia? Algum conselho não solicitado ou algo superficial ou sem sentido? Com que freqüência, ao encontrar alguém na rua, no saguão da igreja ou no local de trabalho, falamos sobre o clima? O tempo raras vezes parece estar perfeito – úmido demais, muito seco, muito quente, ventoso ou nublado. Até em dias ensolarados, o sol pode estar claro demais. Não creio que queiramos reclamar; trata-se apenas do ponto de partida para um diálogo.
Certo dia, minha irmã e eu estávamos fazendo compras numa mercearia. Retiramos o carrinho de compras ao inserir uma moeda de um dólar canadense na abertura correspondente, o que fez com que ele fosse liberado da fila dos carrinhos. Uma senhora ali perto se queixou: “A gente costumava pagar só vinte e cinco centavos por um carrinho!” Qual era a razão do resmungo? Recebíamos o dinheiro de volta ao devolver o carrinho!
Talvez devamos considerar a conveniência de entabular conversa num nível mais elevado. Nossa oração diária devia ser: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na Tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (Salmo 19:14).
Edith Fitch