9 de dezembro
Ana
E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos Céus. Mateus 18:2 e 3.
Se eu soubesse que conheceria Ana hoje, teria escolhido uma roupa para o encontro com uma princesa. Mas eu não sabia. Minha ida ao pequeno laboratório do hospital havia sido apressada. Deixei a requisição na cesta junto à parede e encontrei um assento na sala de espera. A princípio, Ana me chamou a atenção enquanto balançava seus pezinhos que calçavam botas, e olhava alternadamente para mim e para a pessoa adulta ao seu lado.
A pessoa adulta ao seu lado era a sua avó, muito jovem, que concordou com a observação de Ana de que minhas botas eram exatamente iguais às dela. Depois Ana foi à mesinha e pegou um livro sobre porquinhos. Ficou ali, segurando o livro e olhando para mim. Seu cabelo, preto e liso, emoldurava um gracioso rosto com grandes olhos castanhos.
"Você gostaria que eu lesse para você?" perguntei. Ela concordou com um movimento da cabeça e se sentou na cadeira ao meu lado.
Mal havia eu começado a leitura quando uma técnica do laboratório chegou e chamou Ana. A pequena de três anos de idade se levantou e silenciosamente seguiu a senhora para dentro do laboratório.
Um casal expressou sua admiração diante da polidez e boas maneiras da pequenina. A vovó apenas sorriu e disse que transmitiria aquelas palavras à mãe de Ana.
Fui chamada para uma sala ao lado e, quando retornei à sala de espera, a técnica do laboratório voltava com Ana. Não sei o que fizeram, mas Ana estava calma e tranqüila. A técnica comentava com a vovó que criança excepcional Ana era – tão independente e cortês. A vovó sorriu de novo, recebendo o elogio com discrição.
Havia algo muito especial com Ana. Tinha beleza, atitude e graça, tudo acomodado num só pacotinho. E nem tinha consciência do fato.
Os fariseus ter-se-iam sentido desconfortáveis na presença de Ana. Mas Jesus a teria colocado no colo e dito a nós todos que nos tornássemos como aquela criança para entrar no Seu reino.
Dawna Beausoleil