3 de novembro
Arquivando Suposições
Não julgueis, para que vocês não sejam julgados. Mateus 7:1, NVI.
Fizemos cuidadosas manobras atravessando o traiçoeiro estacionamento, empurrando o carrinho cheio de compras para o feriado. Junto ao carro, tínhamos iniciado o processo de transferir as compras quando Melissa soltou uma exclamação, acompanhada de gestos na direção das bombas de combustível próximas, e gritou: "Ela está fumando!" Numa fração de segundo ela voava na direção da mulher. "Eu preciso dizer a ela que é perigoso."
Dei um gemido. Na época e nos dias atuais, aquela poderia não ser uma escolha inteligente! Colocando a última das sacolas no porta-malas, afastei o carrinho e corri na direção do drama que, temia eu, se desenrolava – só para me encontrar com Melissa, retornando. Braços cruzados sobre o peito, olhos no chão, ela era o quadro do desalento. Meu braço envolveu aqueles pequenos ombros enquanto voltávamos para o carro e nos dirigíamos para casa. Em silêncio.
Por fim, me arrisquei a perguntar: "Pronta para o relatório?" Ela estava. As palavras saíram tumultuadas. Não era um cigarro... Era um cigarrinho de chocolate... O vapor da respiração dela no ar gelado... Achei que ela estivesse fumando... Não posso acreditar que eu ia lhe dar um conselho!
Reprimi uma risadinha por dois motivos. Um, para evitar dar um tom trivial à experiência de Melissa; e dois, por causa dos meus próprios atos no dia anterior. Não; não por supor que alguém estivesse fumando. Mas com relação a um mal-entendido entre aparências exteriores e minha percepção daquilo que se passava no coração da mulher. Ui! Dei um grande suspiro.
– Acho que isso já lhe aconteceu também, né? – Melissa comentou, quase com esperança. – Julgou incorretamente?
– Sim – admiti – embora não me orgulhe do fato!
Ela piscou os olhos. Nossas mãos se encontraram sobre o banco do carro. Sua mão juvenil, apenas começando a sentir a vida, e a minha mão com boa quilometragem rodada. Fizemos um pacto, nós duas, enquanto fazíamos o trajeto no entardecer que se aprofundava. Era hora de arquivar suposições.
Arlene Taylor